O dom da ressurreição
Publicado por Massimo Camisasca o 19 Maio 2010 ·
Ao aproximar-se o tempo da Páscoa, Jesus ressuscita Lázaro. Aquele gesto explica toda a dimensão revolucionária do anúncio que ainda hoje ressoa no mundo: “Quem acredita em Mim, ainda se morre, viverá” (Jo 11,25). A morte, de facto, não é eliminada, mas é vencida. Depois de sua mãe e José, Jesus não tinha nada de mais querido que os irmãos Maria, Marta e Lázaro. Eventualmente, só João ocupava o mesmo lugar que estes ocupavam.
Por isso, não é sem significado o facto que Jesus ressuscite Lázaro. O seu amigo, o seu mais caro amigo. A vida surge da amizade, é ultimamente amizade. E esta em Jesus nasce da sua paixão pelos homens. João, no seu Evangelho, descreve assim a reacção de Jesus perante a morte do seu amigo: “Comoveu-se profundamente, e depois chorou” (Jo 11,38).
A comoção de Jesus e a ressurreição de Lázaro representam, para cada um de nós, o sinal que a vida não acaba. Mesmo se estamos sujeitos ao sofrimento e à dor, esses não são definitivos: a última palavra pertence à vida que Ele porta.
Lázaro ressuscita para depois morrer. Cristo, no entanto, ressuscita para não mais morrer. A ressurreição de Lázaro, na realidade, é só uma prefiguração daquela de Cristo. É uma antecipação, como que um dom saboreado antes do tempo. Através dessa, Cristo dá-nos a entender que o dom da sua ressurreição transforma a nossa vida presente: já na nossa vida presente nós ressuscitamos!
A nossa vida transformada é a sua glória no meio dos homens. De que coisa necessitamos para participar a este dom? Trata-se de uma pergunta importante. Seria verdadeiramente terrível ouvir o anúncio de um grande dom e não poder recebê-lo. Para que isto seja possível precisamos de viver uma amizade com Jesus, como aquela de Lázaro, Marta e Maria. Uma amizade que seja custodie da prenda preciosa que é a fé, que nos permita de renascer, de ressuscitar a cada instante. Em cada dia que passa necessitamos de viver a experiência da ressurreição. Em cada momento, apesar das tribulações e das dificuldades, a nossa velhice transforma-se numa juventude na qual vivemos uma experiencia concreta. Apercebemo-nos de ser mais verdadeiros, mais conscientes, mais próximos às coisas da vida.
O objectivo de qualquer amizade cristã é transformar a velhice em juventude. “Nasce-se velhos -escreveu Jean Guitton- e é preciso toda a vida para tornarmo-nos jovens”. Esta é a razão de ser de uma fraternidade, qualquer que essa seja. É esta juventude, é a experiencia desta juventude, que permite de caminhar, e ao mesmo tempo, manter a proximidade, que permite de amadurecer uma consciência sempre maior da ressurreição de Jesus, que é a única graça que nós podemos, devemos e queremos portar aos homens. Porque os homens têm uma só necessidade: ser conscientes que a vida não é uma passagem do nada para nada, mas que a nossa vida é amada e desejada por Deus consciente e amoroso, por um Pai. E este Pai acompanha-nos e espera-nos.
photo: © Elio Ciol







