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Novo superior geral da Fraternidade São Carlos

CS_Sottopietra0999_FotoCiolBento XVI encontrou-se hoje com os membros da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeu que estão a participar numa assembleia-geral em Roma.

De acordo com a agência noticiosa italiana AGI, o Papa aproveitou a ocasião para “saudar e encorajar” o novo superior geral daquela obra, o padre Paolo Sottopietra, que no último sábado substituiu no cargo D. Massimo Camisasca, fundador da Fraternidade e entretanto elevado a bispo de Reggio Emilia-Guastalla.

Natural de Stenico, na província de Trento, do norte da Itália, o padre Paolo Sottopietra salientou que “a Fraternidade nasceu para apoiar a missão da Igreja” e mostrou-se empenhado em “continuar o caminho traçado ao longo de 27 anos por D. Massimo Camisasca”.

Os 18 sacerdotes que participaram no encontro com Bento XVI são provenientes de casas missionárias localizadas na Europa, Ásia, Oceânia, África, América do Sul, América do Norte e Central.

 

JPC – Agência Ecclesia | 2013-02-06 | 16:23:39

(foto Ciol).

7 Fevereiro 2013 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

Se tu não olhas para mim…

Um dia estava a falar com um amigo no adro da nossa paróquia, em Taiwan. Muitas crianças estavam a brincar, como é habitual (na nossa paróquia é assim: muitas crianças, mesmo se não são cristãs, vêm brincar no nosso parque). Naquele dia estava também uma menina, de 4 anos, que eu chamo “Mei-Mei”. é muito simpática e tem uma grande estima por mim, conhecemos-nos desde quando ela nasceu, eu era apenas recém chegado a Taiwan. Por isso, o nosso nível de chinês é mais ou menos igual… Ela gosta muito de andar no escorrega e naquele dia começou a dizer-me: “Shen fu, Kan!”, que quer dizer: “Padre, olha!!”. E eu respondi: “Está bem, Mei-Mei, está bem”. E ela disse-me novamente: “Shen fu, Kan!” (“Padre, olha!”). E eu disse: “Está bem, eu olho”. E ela diz de novo: “Shen fu, Kan!”…., então eu disse-lhe: “Mei-Mei, eu olho, mas para ver o quê?”. E ela respondeu: “Kan Wo!”, ou seja, “Olha para mim!”.

Depois de um momento de silêncio comecei a olhar para ela. Baloiçava para cima e para baixo no escorrega e esperava sempre o meu aplauso. “Muito bem, Mei-Mei, muito bem!”, disse. Uma, duas, cinco vezes… Para a frente e para trás, para cima e para baixo: “Muito bem, Mei-Mei” e, assim, de novo.

A uma certa altura, sem fazer atenção, não olho na sua direcção e retomo a conversa com o meu amigo. Pouco depois, apercebo-me que a “Mei-Mei” está parada e que me observa. Silenciosa, tinha um ar desiludido. Estava no escorrega, mas já não ia para a frente e para trás. Estava sentada, imóvel e continuava a olhar para mim.

Era come se me dissesse: “Sim, mas se tu não olhas para mim, que sentido tem aquilo que eu estou a fazer? Se tu não olhas, de que me serve andar para a frente e para trás, para baixo e para cima, no escorrega?”. E assim, naquele momento apercebi-me que eu sou como aquela criança. Que cada um de nós é como aquela menina. Que cada um de nós precisa de ser visto por alguém que te ama, que te quer bem e que te diz que aquilo que tu fazes tem um sentido. Caso contrário, qual é o sentido de todo o meu empenho na vida, todo o meu andar para a frente e para trás, o meu trabalho, o meu cansaço, se não está alguém a olhar para mim neste momento, alguém que me ama e que me quer bem?

O Natal é a festa que nos lembra que Deus, desde sempre, olha para nós e nos quer bem, até ao ponto de decidir de tornar-se como um de nós para poder estar connosco sempre e dizer-nos continuamente que aquilo que fazemos tem um sentido. Nós estamos em Taiwan para demonstrar a este povo que existe alguém que olha para eles e que os ama. E podemos fazê-lo porque, também nós, temos a consciência, de ser olhados e amados.

Mas Jesus é também aquele Deus que decidiu tornar-se pequeno como nós, pequeno como tu e eu, pequeno como uma criança pequena. E pede-nos a mesma coisa que pedia aquela menina: “Olha, olha para mim!”.

27 Julho 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

Oferecer um café com leite a Jesus

Caro don Massimo,

com alguns jovens de “GS” iniciamos a fazer caritativa com as irmãs de Madre Teresa de Calcutá. Durante a manhã de Sábado, damos o pequeno-almoço aos sem-abrigo, dentro de uma capela no centro cidade, adaptada para servir de cantina aos pobres. As irmãs chegam às 8h30 da manhã, descarregamos todo o material e com elas entramos na capela. Limpamos as mesas, arrumamos as cadeiras e preparamos as mesas colocando as taças de plástico, os guardanapos e as colheres. Entretanto algumas senhoras, que fazem voluntariado, preparam o leite e o café em grandes panelas. Os sem-abrigo entram às 9h00, sentando-se de uma forma ordenada. Podem ser sessenta, setenta o até mais. Antes de iniciar o pequeno-almoço, as irmãs e os sem-abrigo cantam juntos. Um sacerdote lê o Evangelho do dia e faz um pequeno comentário, terminando com a recitação de uma simples oração. Começam-se a servir os alimentos, por volta das 9h30. Assim, o nutrimento é total porque os sem-abrigo são pessoas inteiras, de corpo e alma, e como tal merecem ser tratados. Ajudá-los verdadeiramente, mais do que dar simplesmente qualquer alimento, significa relembrar-lhes que as suas vidas têm um sentido e que todos nós estamos nas mãos de um Pai bondoso. Naturalmente estão, também, presentes pessoas que não querem rezar e que, por isso, aparecem somente às 9h30, sabendo que, de qualquer forma, as irmãs não lhes negam os alimentos que dão aos outros.

Mas a coisa mais bonita de se ver são as irmãs. Têm um rosto luminoso e estão sempre a sorrir, até quando os sem-abrigo se portam mal e gritam pelas suas necessidades. Na verdade, vêm o rosto de Jesus nas pessoas que tem à sua frente.

Pediram-me se podia celebrar a Missa às 7h00 da manhã, no Sábado seguinte. Fui pontual, cheguei às 6h45, e, por isso, já me sentia um herói. Naturalmente a irmã Lúcia já estava acordada. Perguntei-lhe: “A que horas acordam?”. “Sempre às 4h40, como em todas as nossas casas no mundo”, respondeu. “E depois o que é que fazem?”, repliquei. “Lavamo-nos e vestimos-nos; depois, das 5h00 às 6h00, fazemos um tempo de meditação. Limpamos a casa e voltamos para a capela para um momento de Adoração do SS.mo Sacramento e para a celebração da Missa”, disse a irmã Lúcia. Aqui está o seu segredo, come se ainda fosse necessário desvendar-lo: é possível reconhecer Cristo presente em todos os lugares e em todos os rostos, se se reconhece a Sua presença, antes de tudo, no lugar físico que Ele mesmo escolheu como sua habitação, ou seja, na Igreja, nos Sacramentos, na Eucaristia, na companhia guiada daqueles que Ele mesmo chamou. É uma lição permanente: a memória do acontecimento de Cristo abre a porta a todos os factos da nossa existência.

Ciao, Andrea.

24 Junho 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

A ante-câmara do Céu

A doutrina do Purgatório mostra-nos quanto Deus leva a sério a nossa liberdade e as nossa escolhas: no Dia do Juízo devemos explicar até as palavras que foram ditas por brincadeira. Deus, por outro lado, oferece-nos, ao mesmo tempo, a esperança de aperfeiçoar o nosso morno amor. A existência do Purgatório enche o nosso coração de esperança, porque será a forma através da qual a maior parte de nós entrará no Paraíso.

Somente estando perante a luz de Cristo começamos a reparar naquilo que, em nós, se opõe ao Seu amor. O olhar do Senhor é cheio de compaixão, ternura, misericórdia; ao mesmo tempo, é também um olhar cheio de ardor, que queima todas as nossa impurezas e os nossos pecados.

«O purgatório é como uma confissão verdadeiramente radical, em que o Senhor é o confessor que descobre, um depois de outro e em uma forma sempre mais profunda, os pecados que esquecemos; e com este conhecimento crescente podemos intuir, pela primeira vez, como tudo fosse pecado; da intuição passo ao reconhecimento, do reconhecimento a um sentimento de amargura e, pouco a pouco, ao arrependimento, ao arrependimento real por amor do Senhor…» (A. Von Speyr).

O grande Mogol conseguiu intuir poeticamente tudo isto na sua esplêndida música “l’arcobaleno”, o arco-íris, que dedicou ao seu amigo e cantor Lucio Battisti, pouco depois da sua morte, e que Celentano tornou famosa: «Eu quantas coisas não tinha percebido, que são claras como estrelas cadentes, e devo dizer-te que é um prazer infinito, levar estas minhas malas pesadas».

É um prazer infinito viver na certeza de poder entrar um dia no Paraíso. Na ante-câmara do Céu, onde cada um de nós será purificado até que não tenha alcançado a posição interior de amor perfeito. Um amor que, finalmente, não viverá preocupado com qualquer coisa de receber em troca. Um amor onde a alegria do doar e do receber serão, finalmente, a mesma coisa.

foto © Elio e Stefano Ciol

 

8 Junho 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

A vocação de Wojtyla

Ninguém poderá calcular o enorme número de vocações que surgiram por ocasião das viagens de João Paulo II. É, também, incalculável o número de vocações que nasceu da sua oração.

Aquilo que nós chamamos vocação, de facto, pode ser comparado a uma semente, que foi posta dentro de nós e que precisa de tempo para poder crescer e tornar-se árvore. Estas sementes são os encontros que realizamos, as palavras que ouvimos, determinadas leituras ou certas experiências particulares de alegria e de dor.

Karol Wojtyla tinha o dom muito especial de falar para milhões de pessoas, mas de ser ouvido por cada um dos presentes como se lhe falasse pessoalmente. As suas palavras eram verdadeiras sementes. Por isso não me provoca nenhum espanto ouvir tantos jovens, agora já adultos, dizer que o seu matrimónio, a sua vocação sacerdotal ou religiosa, nasceram de Wojtyla. Possivelmente nunca o encontraram pessoalmente, mas, mesmo assim, a sua vida sofreu uma mudança a partir deste encontro. Como se, de facto, Wojtyla tivesse sido um seu professor, um pai, um amigo preferido.

È muito rara a experiência de encontrar alguém que não vê somente a nossa aparência exterior, mas que quer perceber a verdade que está no nosso coração. Wojtyla era uma destas pessoas. Para ele a vocação não era um assunto igual aos demais: era, precisamente, o substrato da relação dele com a pessoa que tinha à sua frente. A vida dele, o tom da sua voz, a sua ousadia e coragem pareciam dizer a cada jovem: “Tens verdadeiramente consciência de quanto vales? Sabes qual é o valor da tua vida? Sabes que seguindo Cristo a tua vida pode florescer de uma forma muito mais bonita?”.

Durante as viagens, as audiências, os encontros – penso sobretudo às Jornadas Mundiais da Juventude – ele sabia capturar a atenção, o respeito e até a comoção de todos. Tudo porque falava de assuntos que eram do interesse dos jovens, de temas que os envolviam e que, ao mesmo tempo, provocavam a sua liberdade. Sabia, em suma, tornar estas questões evidentes aos seus olhos.

31 Maio 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

Qualquer coisa que nos acompanha sempre…

Terminou o nosso primeiro ano de missão na Colónia. Um acontecimento recente representa, para mim, a situação favorável que estamos a viver, eu e os irmãos da casa, neste momento. Trata-se do encontro com uma pessoa da nossa paróquia.

Há algum tempo fui convidado para jantar com uma senhora de, aproximadamente, sessenta anos. Além de nós, estava presente um jovem casal, ela da América do Sul e ele alemão; nenhum dos dois frequenta a Igreja.

O jantar era óptimo. Perto do final do jantar, a dona da casa disse: «Desejei convidar-vos para vos contar algo de bonito, aliás a coisa mais bonita que eu vivi neste último período. À alguns meses atrás chegaram, à nossa paróquia, novos padres. Eu não andava frequentemente à Missa, andava apenas para acompanhar as crianças da catequese ou para cantar no coro. Agora é tudo diferente e explico-vos qual é a razão. Um domingo fui à Missa e celebrava o padre Gianluca: ele celebrava, pregava a homilia e eu ouvia. Depois da Missa, voltei para casa e dizia para mim mesma: “hoje aconteceu qualquer coisa de diverso”. O Domingo seguinte, aconteceu a mesma coisa: o padre Gianluca celebrava a Missa, diz o sermão e eu volto para casa contente e penso: “também hoje notei algo de diferente…mas o quê?”. Abri a porta de casa e no preciso momento que estava para fechar a porta entendi o que é que tinha acontecido. Até àquele dia, quando regressava a casa depois da Missa, fechava a porta e Ele ficava de fora; agora volto da Missa e não posso fechar-Lhe a porta, porque Ele já entrou». E, dito isto, abriu uma garrafa de espumante!

Nunca me tinha acontecido algo de semelhante, nem nos nove anos que estive em Viena e nem nos quatro anos que estive em Emmendingen. Uma pessoa comovida pelo encontro com um de nós, que convida para jantar algumas pessoas amigas, precisamente para lhes contar do encontro que lhe mudou a vida.

Como diz don Giussani, somos procurados não porque somos bons e capazes, mas por algo de diverso que temos sempre connosco, por alguma coisa que portamos, por algo que temos dentro, que vive entre nós. Posso acrescentar: por Alguém que temos entre nós.

Mas a história não termina aqui. Passados alguns dias contei todas estas coisas à minha mãe. Ela disse-me imediatamente: «Já disseste todas estas coisas ao don Massimo?».

Quanto eu queria ter igualmente o vigor daquela mulher de sessenta anos e da minha mãe, que tem quase oitenta! Aquele vigor que nos impele a falar da beleza de que somos testemunhas!

28 Abril 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

Discurso do Santo Padre Bento XVI aos participantes da Assembleia Geral da Fraternidade São Carlos

Caros irmãos e amigos,

É com verdadeira alegria que vivo este encontro convosco, sacerdotes e seminaristas da Fraternidade de São Carlos, aqui reunidos por ocasião do seu nascimento. Saúdo e agradeço ao fundador e superior-geral, Monsenhor Massimo Camisasca, ao seu conselho e todos vós, parentes e amigos, que acompanhais a comunidade. De modo particular, saúdo o Arcebispo da Diocese moscovita da Mãe de Deus, D. Paolo Pezzi, e Padre Julián Carrón, Presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, que exprimem simbolicamente os frutos e a raiz da obra da Fraternidade de São Carlos. Este momento traz à minha memória a longa amizade com Monsenhor Luigi Giussani e dá testemunho da fecundidade do seu carisma.

Nesta ocasião, gostaria de responder a duas perguntas que o nosso encontro me sugere: qual é o lugar do sacerdócio na vida da Igreja? Qual é o lugar da vida comum na experiência sacerdotal?

O vosso nascimento a partir do movimento de Comunhão e Libertação, e a vossa referência vital à experiência eclesial que ele representa, põem diante dos nossos olhos uma verdade que se foi confirmando com particular clareza a partir do século XIX e que encontrou uma expressão significativa na teologia do Concílio Vaticano II. Refiro-me ao facto de que o sacerdócio cristão não é um fim em si mesmo. Ele foi desejado por Jesus em função do nascimento e da vida da Igreja. Por isso, cada sacerdote pode dizer aos fiéis, parafraseando santo Agostinho: Vobiscum christianus, pro vobis sacerdos.

A glória e a alegria do sacerdócio consistem em servir Cristo e o seu Corpo místico. Representa uma vocação muito bela e singular no interior da Igreja, que torna presente Cristo, porque participa do único e eterno Sacerdócio de Cristo. A presença de vocações sacerdotais é um sinal seguro da verdade e da vitalidade de uma comunidade cristã. Com efeito, Deus chama sempre, também ao sacerdócio; não existe um crescimento verdadeiro e fecundo na Igreja, sem uma autêntica presença sacerdotal que a sustenha e alimente. Por isso, estou grato a todos aqueles que dedicam as suas energias à formação dos sacerdotes e à reforma da vida sacerdotal. Com efeito, como toda a Igreja, também o sacerdócio tem necessidade de se renovar continuamente, encontrando na vida de Jesus as formas mais essenciais do seu próprio ser.

Os diversos caminhos possíveis para esta renovação não podem deixar de lado qualquer elemento irrenunciável. Antes de tudo, uma profunda educação na meditação e na oração, vividas como diálogo com o Senhor ressuscitado, presente na sua Igreja. Em segundo lugar, um estudo da teologia que permita encontrar as verdades cristãs na forma de uma síntese ligada à vida da pessoa e da comunidade: com efeito, unicamente um olhar sapiencial pode valorizar a força que a fé possui, de iluminar a vida e o mundo, conduzindo continuamente rumo a Cristo, Criador e Salvador.

Durante o curso breve mas intenso da sua história, a Fraternidade de São Carlos salientou o valor da vida comum. Também eu falei várias vezes deste aspecto nas minhas intervenções, antes e depois da minha chamada ao Sólio de Pedro. «É importante que os sacerdotes não vivam isolados em algum lugar, mas estejam juntos em pequenas comunidades, se encorajem uns aos outros e assim façam a experiência do estar juntos no seu serviço a Cristo e na renúncia pelo reino dos Céus, e também adquiram cada vez mais consciência disto» (Luz do mundo, Cidade do Vaticano 2010, p. 208). As urgências deste momento saltam aos nossos olhos. Penso, por exemplo, na carência de sacerdotes. A vida comum não é, acima de tudo, uma estratégia para responder a estas necessidades. E ela também não é, por si só, apenas uma forma de ajuda diante da solidão e da debilidade do homem. Sem dúvida, tudo isto pode existir, mas unicamente se a vida fraterna for concebida e vivida como um caminho para se imergir na realidade da comunhão. Efectivamente, a vida comum é expressão do dom de Cristo, que é a Igreja, e é prefigurada na comunidade apostólica, que deu lugar aos presbitérios. Com efeito, nenhum sacerdote administra algo que lhe é próprio, mas participa juntamente com os outros irmãos num dom sacramental que provém directamente de Jesus.

Por conseguinte, a vida comum manifesta uma ajuda que Cristo confere à nossa existência, chamando-nos através da presença dos irmãos, a uma configuração cada vez mais profunda com a sua própria Pessoa. Viver com os outros significa aceitar a necessidade de uma conversão pessoal contínua e, sobretudo, descobrir a beleza de tal caminho, a alegria da humildade, da penitência, mas também da conversão, do perdão recípoco e do sustentamento mútuo. «Ecce quam bonum et quam iucundum habitare fratres in unum» (Sl 133 [132], 1).

Ninguém pode assumir a força regeneradora da vida comum sem a oração, sem ter em consideração a experiência e o ensinamento dos santos, de maneira particular dos Padres da Igreja, e sem uma existência sacramental vivida com fidelidade. Se não entrarmos no diálogo eterno que o Filho mantém com o Pai, no Espírito Santo, nenhuma vida comum autêntica é possível. É necessário estar com Jesus para poder estar com os outros. Este é o coração da missão. Na companhia de Jesus e dos irmãos, cada sacerdote pode encontrar as energias necessárias para poder ocupar-se dos homens, para responder às necessidades espirituais e materiais que encontra, para ensinar com palavras sempre novas, ditadas pelo amor, as verdades eternas da fé, das quais também os nossos contemporâneos têm sede.

Caros irmãos e amigos, continuai a ir pelo mundo inteiro para levar a todos a comunhão que nasce do Coração de Cristo! A experiência dos Apóstolos com Jesus seja sempre o farol que ilumina a vossa vida sacerdotal! Encorajando-vos a continuar pelo caminho traçado ao longo destes anos, é de bom grado que concedo a minha Bênção a todos os sacerdotes e aos seminaristas da Fraternidade de São Carlos, às Missionárias de São Carlos, bem como aos seus familiares e amigos.

copyright: LEV

foto: Servizio fotografico de L’Osservatore Romano

4 Março 2011 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

“Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho”

Homilia de Don Massimo Camisasca
14 de Setembro de 2010
Festa da Exaltação da Santa Cruz
XXV Aniversário da Fundação da Fraternidade de São Carlos Borromeo

Caros irmãos e amigos,
estou contente de estar aqui convosco. A relação com a Diocese e com o movimento de Roma tem para nós um particular significado. Aqui nascemos e aqui, como em nenhuma outra diocese do mundo, a nossa presença desenvolveu-se duma forma tão importante: somos, de facto, presentes em três paróquias e com muitos sacerdotes. Agradeço, por isso, a cada um de vós. Sei que nos acompanham e nos sustentam com especial atenção e carinho.
Não recordo quais as razões que motivaram a assinatura do acto constitutivo da nossa Fraternidade exactamente na Festa da Exaltação da Santa Cruz. De qualquer forma, passados 25 anos, é hoje clara a razão pela qual o Senhor quis que a nossa fundação coincidisse com esta festa.
Desde aquele dia, em cada ano, somos convidados a entrar nesta liturgia e a descobrir, nessa mesma, as raízes profundas da nossa origem e do nosso caminho na história dos homens e da Igreja. Não pode ser somente uma simples coincidência exterior, mas um ensinamento de Deus ao qual devemos continuamente voltar. Numa expressão do Evangelho desta noite encontramos o sentido da nossa história e da nossa existência: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça mas tenha a vida eterna”.
Este versículo do terceiro capítulo do Evangelho de São João é um comentário do evangelista, o discípulo amado, às palavras que Jesus dirige a Nicodemos: “Assim como Moisés levantou a serpente do deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do homem seja levantado”.
A vida que Deus oferecia novamente ao seu povo, pela intercessão de Moisés, era uma vida destinada a acabar. Aquela que Jesus doa é, ao invés, uma vida que não acaba: Ele é o verdadeiro Moisés. Se queremos entender que coisa significam estes 25 anos devemos mergulhar o nosso olhar e o nosso coração neste mistério pelo qual Deus doa o seu Filho Unigénito, porque quer que os homens sejam salvos.
Ele pede ao seu Filho de morrer, para que a partir deste sacrifício, vivido em obediência ao Pai, seja definitivamente derrotado o pecado e a morte, que do pecado é o fruto mais terrível. Se não entramos nesta experiência do dom que Deus nos faz através do Filho, não temos as chaves para entrar nas razões desta nossa Fraternidade. Ela nasce, antes de tudo, como sinal da misericórdia de Deus para com a nossa vida.
É um riflesso da cruz. Cristo levantado chama-nos, atrai-nos. Esta é a realidade da nossa vocação, de cada vocação cristã, em particular da vocação sacerdotal. Cada vocação particular é vivida na comunhão, na entrega aos irmãos. Este é o modo de operar de Deus no sacramento da Igreja.
Neste momento passam diante dos meus olhos todas as pessoas que foram para mim um sustento nestes anos, os muitos rostos através dos quais a misericórdia de Deus me alcançou, sustentou, corrigiu e consolou. Quantas vezes o testemunho dos meus irmãos enche o meu coração de gratidão e alegria!
Estes 25 anos têm, para cada um de nós, um significado particular. Cada um lembra datas, nomes, rostos, acontecimentos diversos. Cada um porta uma história pessoal e, ao mesmo tempo, faz necessariamente parte da história dos outros. É a realidade da comunhão. Mas dentro da diversidade destes nomes e destas histórias está um único mistério, que torna precioso este acontecimento. Esse, de facto, na precariedade das nossas aventuras humanas, realiza a promessa que emerge no Evangelho: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito”. Mas também ouvimos neste versículo: “a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna”.Se a nossa Fraternidade nasce como descoberta da misericórdia de Deus em relação a cada um de nós, ela actua-se como sinal da misericórdia de Deus para com os homens.
Don Giussani afirmava, há muitos anos atrás, comentando as palavras de São Paulo:”A memória do amor de Cristo esgota o conteúdo da nossa vida, o conteúdo que motiva toda a nossa vida (…). Ter este ardor é o objectivo ao qual deve tender o nosso desejo, toda a nossa actividade (…). É condição porque a nossa vida de consagrados a Cristo possa dar verdadeiramente fruto.A nossa vida é triste, aborrecida quando é neutra, quando não tem este ardor e quando não vive com clareza o fim para qual tudo tende: que todos aqueles que vivem não vivam para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou para eles”.
A Fraternidade durante estes 25 anos foi para mim uma escola onde aprender a não viver para mim mesmo, a não morrer para mim mesmo. Espero que, em todo o tempo que ainda tenho para viver, esta escola possa continuar e tornar-se mais consciente em mim, mas também em cada um de vós.
Este é o convite que Jesus dirige à nossa vida, que ela se torne oferta, participação à paixão de Cristo. E, assim, as nossas invejas, os nossos ciúmes, as nossa divisões tornam-se pequenas e mesquinhas! É necessária a conversão contínua do nosso coração às próprias dimensões do coração de Jesus.

16 Novembro 2010 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

O dom da ressurreição

E0670_ElioCiol3Ao aproximar-se o tempo da Páscoa, Jesus ressuscita Lázaro. Aquele gesto explica toda a dimensão revolucionária do anúncio que ainda hoje ressoa no mundo: “Quem acredita em Mim, ainda se morre, viverá” (Jo 11,25). A morte, de facto, não é eliminada, mas é vencida. Depois de sua mãe e José, Jesus não tinha nada de mais querido que os irmãos Maria, Marta e Lázaro. Eventualmente, só João ocupava o mesmo lugar que estes ocupavam.

Por isso, não é sem significado o facto que Jesus ressuscite Lázaro. O seu amigo, o seu mais caro amigo. A vida surge da amizade, é ultimamente amizade. E esta em Jesus nasce da sua paixão pelos homens. João, no seu Evangelho, descreve assim a reacção de Jesus perante a morte do seu amigo: “Comoveu-se profundamente, e depois chorou” (Jo 11,38).

A comoção de Jesus e a ressurreição de Lázaro representam, para cada um de nós, o sinal que a vida não acaba. Mesmo se estamos sujeitos ao sofrimento e à dor, esses não são definitivos: a última palavra pertence à vida que Ele porta.

Lázaro ressuscita para depois morrer. Cristo, no entanto, ressuscita para não mais morrer. A ressurreição de Lázaro, na realidade, é só uma prefiguração daquela de Cristo. É uma antecipação, como que um dom saboreado antes do tempo. Através dessa, Cristo dá-nos a entender que o dom da sua ressurreição transforma a nossa vida presente: já na nossa vida presente nós ressuscitamos!

A nossa vida transformada é a sua glória no meio dos homens. De que coisa necessitamos para participar a este dom? Trata-se de uma pergunta importante. Seria verdadeiramente terrível ouvir o anúncio de um grande dom e não poder recebê-lo. Para que isto seja possível precisamos de viver uma amizade com Jesus, como aquela de Lázaro, Marta e Maria. Uma amizade que seja custodie da prenda preciosa que é a fé, que nos permita de renascer, de ressuscitar a cada instante. Em cada dia que passa necessitamos de viver a experiência da ressurreição. Em cada momento, apesar das tribulações e das dificuldades, a nossa velhice transforma-se numa juventude na qual vivemos uma experiencia concreta. Apercebemo-nos de ser mais verdadeiros, mais conscientes, mais próximos às coisas da vida.

O objectivo de qualquer amizade cristã é transformar a velhice em juventude. “Nasce-se velhos -escreveu Jean Guitton- e é preciso toda a vida para tornarmo-nos jovens”. Esta é a razão de ser de uma fraternidade, qualquer que essa seja. É esta juventude, é a experiencia desta juventude, que permite de caminhar, e ao mesmo tempo, manter a proximidade, que permite de amadurecer uma consciência sempre maior da ressurreição de Jesus, que é a única graça que nós podemos, devemos e queremos portar aos homens. Porque os homens têm uma só necessidade: ser conscientes que a vida não é uma passagem do nada para nada, mas que a nossa vida é amada e desejada por Deus consciente e amoroso, por um Pai. E este Pai acompanha-nos e espera-nos.

photo: © Elio Ciol

19 Maio 2010 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

Um novo começo

IMG_6573Romano Christen há poucos meses em missão em Colónia, Alemanha, juntamente com Gianluca Carlin, Georg del Valle e Lorenzo Di Pietro.

Padre Romano há pouco tempo foi aberta uma casa da Fraternidade em Colónia, Alemanha. Qual é a tua primeira impressão desta cidade?

Estamos em Colónia desde Agosto de 2009. A cidade tem uma história imponente: fundada há dois mil anos pelo povo romano, durante séculos o centro da Europa, era também chamada a “Roma do Norte”. Uma cidade com uma história muito católica, pátria de muitos santos, rica em Igrejas românicas e góticas. No entanto, se dás uma volta no metropolitano ou caminhas pelas ruas da cidade, vês uma multidão de pessoas que se afastou totalmente deste património.

É uma cidade rica, mas com uma significativa taxa de desemprego e uma altíssima taxa de imigração. Os habitantes de Colónia concebem-se culturalmente como vanguardistas, abertos a qualquer forma de expressão (mesmo que exagerada ou excêntrica). De facto, a preciosa tradição que constitui a sua identificação cultural já não é vivida de uma forma óbvia, mas é totalmente submersa pelos contrastes do século XXI. É este o ponto de partida da nossa presença aqui: enraizados no sentimento de pertença à Fraternidade, ao Movimento, desejamos amar este povo e testemunhar que esta tradição é chamada a ter um grande futuro.

Como se insere neste contexto a vossa responsabilidade na paróquia?

A realidade paroquial que me foi confiada subdivide-se em três paróquias e é composta por um total de dez mil almas. Georg del Valle é o meu coadjutor. Eu sinto a minha tarefa de pároco como que conexa ao caminho da tradição religiosa e cultural deste povo. Este caminho, para nós, encontra um ponto de força na paternidade do nosso Bispo, o Cardeal Meisner. Tivemos ocasião de encontrá-lo várias vezes e fomos muito encorajados. De facto, temos percebido a sua capacidade de valorizar o nosso carisma, de respeitá-lo e de guardar com espanto o nosso carisma. Ele deseja apoiar-nos para que a árvore da nossa Fraternidade possa crescer igualmente na sua diocese. A diocese de Colónia é grande e a cúria é imensa. Relativamente aos seus colaboradores, também não temos encontrado uma frieza nos aspectos burocráticos, fomos acolhidos com calor e mostraram-nos um grande desejo de trabalhar em conjunto.

Como ajuizas o começo da vossa missão aqui?

Experimentamos um acolhimento muito caloroso dos nossos paroquianos, em geral muito receptivos às nossas propostas. Mesmo não conhecendo nada da nossa Fraternidade, relacionaram-se connosco sem preconceitos. Desde o início, deixaram-se provocar pelo facto que quatro sacerdotes vivessem juntos. Muitos, até entre aqueles que têm uma responsabilidade activa na paróquia, ficaram fascinados com a unidade que se vê na nossa vida e percebem-na como uma grande promessa para a paróquia.

Compreenderam que não somos pessoas que estão aqui sem se envolverem com a realidade que nos circunda. Quem conduz a paróquia é acompanhado com uma amizade fraterna. Isto despertou neles uma esperança de poder viver uma amizade semelhante, seja entre eles, seja connosco.

26 Março 2010 | Archiviado en Artigos recentes, Destaques |  

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